terça-feira, 10 de maio de 2016

A história de um milagre - parte VII

No dia 22 de maio de 2002, o Emerson teve que viajar para uma reunião de trabalho em São Paulo, mas voltaria a noite. 
Eu estava no hospital para amamentar a Emilly, quando encontrei com o neurocirurgião na UTI, examinando a minha filha.
Foi então, que eu falei pra ele:
"- Dr. vcs já fizeram tantos exames na minha filha e, tenho certeza de que não encontraram nada do que estão procurando! Porque se tivessem encontrado, nós já teríamos sido informados. Será que há mesmo necessidade dela ficar aqui neste hospital? Já se passaram 11 dias desde que ela nasceu e como eu sonho em poder cuidar dela em casa! Por favor Dr! Libere a minha pequena para ir embora dessa UTI!"
Então Ele respondeu:
"- Minha querida, todo recém nascido que faz esse tipo de cirurgia na coluna, precisa imediatamente fazer uma outra cirurgia para colocação de uma válvula na cabecinha. A meningomielocele é acompanhada de uma hidrocefalia. A Emilly nasceu com um início desta hidrocefalia. Ao fechar a coluna, com a cirurgia, dá-se uma compressão muito grande no cérebro e daí a cabeça começa a crescer de uma forma desenfreada, levando a criança à morte.
O que eu não entendo é que essa cirurgia já era para ter sido feita, pois normalmente fazemos um dia após feita a cirurgia do fechamento da coluna (pois o aumento da cabeça é imediato). Mas a Emilly está em observação já há 10 dias e ainda não houve nenhuma alteração.
Acho que dessa vez realmente "quebrei a cara". A sua filha vai poder ir para casa com vc hoje sim. Desde que, você me prometa que passará com ela em todos os especialistas que eu irei lhe indicar. E você tem que ter consciência de que a sua filha é uma criança "especial" e precisará de acompanhamento médico por toda a sua vida!'
Naquele momento, minha alegria era tamanha que chorei demais ao saber que enfim minha pequena receberia alta.
A minha mãe, que estava comigo no hospital, foi correndo para casa buscar uma roupinha para que a minha princesa podesse assim ir para casa.
Enquanto isso, na UTI, eu mesma pude dar o banho em minha filha.
A vontade era tanta de poder cuidar dela, levá-la pra casa, apresentá-la ao seu quartinho (que mesmo feito às pressas, ficou tudo tão lindo, pois preparamos com muito carinho) que mesmo sem experiência nenhuma, cuidei dela em seu banho como se eu tivesse muita prática. Fui até cumprimentada pelas enfermeiras da UTI.
Ao receber alta do hospital, o neuro nos entregou uma lista enorme de especialistas a quem deveríamos procurar para o acompanhamento da Emilly.
Acompanhamento este, que no meu coração eu tinha certeza que não iria precisar, pois já acreditava que Deus havia feito a obra na vida dela.
E lá vamos nós para casa. 
Felicidade era pouco pra expressar tudo que eu sentia naquele momento.
Enfim minha pequena estava comigo em casa!!
Não havia contado nada para o Emerson. Quando ele chegou de viagem, pedi para que ele pegasse algo no quartinho da Emilly para mim. Quando ele subiu e viu a nossa filha dormindo no bercinho, ele desabou em lágrimas. Pegou a Emilly dormindo ainda e não soltava mais. Ele "babava" muito na filha e agradecia a Deus todo instante por poder ter a nossa pequena conosco em casa. 
Quando a Emilly chorava, ele pulava da cama primeiro que eu e ficava com ela o tempo todo no colo. Como babava nessa filha!
E assim seguimos com o compromisso de levar a Emilly em todos os especialistas indicados pelo neuro.
O primeiro médico a ser procurado, foi um ortopedista.
Ao chegarmos e explicarmos o porque estávamos ali, o médico logo retirou toda a roupinha dela para examiná-la. Ela ainda estava com os pontos da cirurgia. O médico ficou calado o tempo todo em que a examinava.
Depois de todo o exame clínico concluído, pediu para que eu vestisse novamente a roupinha nela.
E logo nos disse:
"- Não entendo, essa criança tem todos os movimentos e reflexos perfeitos. Se não fosse o encaminhamento médico e essa enorme cicatriz ainda com os pontos, eu jamais acreditaria, que ela nasceu com meningomielocele. O pezinho torto, foi apenas devido a um mau posicionamento dela na barriga (ela estava muito grande e pouco espaço para ela lá dentro). Isso corrigirá por si só nos primeiros meses de vida. Não precisará de nenhuma intervenção para isso. Dou um mês para vocês voltarem e confirmarem o que estou falando. E o restante, sinceramente, com todos estes anos de medicina, posso afirmar para vocês que nunca vi coisa igual. Essa criança é perfeita. Não vejo nada de "anormal" em sua avaliação clínica. Pais, acho que vocês estão procurando "chifres em cabeça de cavalo". Vão para casa e esperem tudo acontecer em seu tempo."
Deus seja louvado!
Eu sabia que a minha filha já havia sido curada, que Deus havia operado na vida dela. Essa certeza Deus já havia colocado em meu coração, muito antes dela nascer.
Mesmo assim, o Emerson queria levá-la em todos os demais especialistas indicados pelo neurocirurgião. Mesmo contra a minha vontade. Assim fizemos.
A cada um que íamos, seguia a mesma rotina. Examinavam a Emilly e logo depois descartavam a hipótese dela ter algo, pois todos os movimentos do seu corpinho, eram perfeitos.
Todos os médicos ficavam extremamente surpresos, ao saber que ela nasceu com meningomielocele, pois viam os reflexos e os movimentos de uma criança, que nunca tivera nada.
A Emilly foi crescendo, mês a mês, apenas com o acompanhamento da pediatra e da neuropediatra, que viam o seu desenvolvimento perfeito e acelerado. 
Dentro da normalidade de qualquer criança? Não meus queridos. Muito além. Ela fez tudo, muito antes do tempo.
Um pouquinho antes dos cinco meses, ela sentou sozinha. Falou as primeiras palavras aos 7 meses. Parece mentira? Mas não é não. Aos sete meses falava palavras como mamã, papá, água. Aos sete meses já engatinhou. Aos 8 meses, jogava beijos com a mãozinha na boca e dava tchau para todo mundo. E um pouco antes dos 10 meses, andou sozinha como se estivesse desfilando em uma passarela! Sim meus queridos! Aos nove meses ela andou para honra e glória do nosso Deus, para mostrar ao mundo, que quando a medicina falha, Deus age. Que existe um Deus, que é o médico dos médicos, que tudo pode fazer, mesmo quando a ciência diz:
- Não tem jeito!
Só tinha uma coisa que ainda muito me incomodava. A Emilly, de tempo em tempo, tinha que fazer tomografias, para saber se tudo estava progredindo bem, já que ela não precisou colocar  válvula na cabecinha.
Eu sofria muito, em saber que a minha pequena, uma criança tão linda, sorridente e esperta, precisava se submeter a tal exame. No início era bem tranquilo porque ela era bebezinha, mas com o passar dos meses, ela já grandinha, não ficava mais quieta. Em razão disso, no último exame feito, tiveram que sedá-la e entubá-la para realização do mesmo.
Foi horrível e desesperador para mim, que já havia visto minha pequena passar por tantas coisas, ainda ter que passar por mais isso.
Ao ler o resultado da tomografia, a pediatra nos informa que havia tido um crescimento na cabecinha, o que para ela, era uma coisa normal pois a Emilly já estava com 10 meses e a cabeça precisava crescer mesmo. Mas ao encaminhar para o neurocirurgião que a operou...
Começou mais uma luta!

(Continua…)

Emilly Victoria com 6 meses de idade.


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* Este texto foi escrito por Carla Toledo, é uma história real, vivenciada na cidade de Belo Horizonte (MG - BR) iniciando-se no ano de 2001 e,  está dividida no blog por capítulos para facilitar a leitura e compreensão dos fatos narradas pela autora.

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