quarta-feira, 27 de abril de 2016

A história de um milagre - Parte V

Só que as coisas não aconteceram bem assim.
Chega enfim, o tão esperado dia...11 de maio de 2002. Acordamos às 4:20 h da manhã. A cesariana foi marcada para as 6:00 h. 
Eu não estava nervosa, apenas um pouco ansiosa, mas acima de tudo, muito confiante nas promessas do Senhor.
A família em peso foi no hospital, tanto do lado do Emerson, como do meu. E vale ressaltar, uma pessoinha que foi imprescindível em minha vida, que durante toda a gestação me acompanhou bem de perto, esteve sempre ao meu lado, me deu forças, chorou comigo, orou e viveu a gestação junto comigo. Abriu mão da vida dela para estar nesse momento tão difícil ao meu lado. Essa pessoa linda é a minha irmã caçula, Michelle. A quem eu muito amo, louvo à Deus por sua vida e sou intensamente grata.
Nos reunimos, toda família, m uma salinha, antes que eu entrasse para o bloco cirúrgico. Oramos todos juntos e mais uma vez, pedimos para que Deus fizesse a vontade Dele em nossas vidas.
Nos despedimos e lá fomos, o Emerson e eu para o centro cirúrgico. 
Eu nunca vi uma equipe médica tão grande para fazer um parto. Especialistas de todas as áreas estavam ali. O meu obstetra, um obstetra auxiliar, dois anestesistas três enfermeiras, um pediatra, um neuropediatra e um neurocirurgião: 9 profissionais assistiram a cesariana.
Às 5 horas e 58 minutos deu-se início à todos os preparativos do parto.
6 horas e 22 minutos: a Emilly não para de chutar embaixo das minhas costelas, como se quisesse me dizer algo.
6 horas e 26 minutos: Já muito emocionada, ouço o chorinho mais lindo de toda a minha vida! Nascia naquele instante a nossa princesinha Emilly Victoria, para honra, glória e louvor do nosso Deus!
Eu chorava muito, o tempo inteiro. Na Minha cabeça, passava um filme de tudo que vivemos na minha gestação: a emoção da descoberta da gravidez, a curiosidade para sabermos o sexo do bebê, a angústia diante dos problemas descobertos, o sofrimento, as lutas, a entrega e o descanso nas mãos do Senhor. Tudo isso vinha de uma só vez, enquanto nossa princesa chegava ao mundo.
Muito emocionadas, as nossas famílias assistiam tudo, em uma sala ao lado, separados apenas por um vidro.
Eu não tive o prazer que toda mãe tem quando seu bebê nasce. Não colocaram a minha filha em meus braços. Eu não a beijei e nem a segurei... Não me deixaram pegar a minha filha. Eu a vi, mas apenas de longe. Ela saiu da minha barriga daquela sala de parto, direto para UTI.
Eles queriam examiná-la melhor, pois logo ela seria submetida a uma delicada cirurgia.
Eu saí do bloco cirúrgico, chorando muito. Pois a única coisa que eu queria naquele momento, era ver o rostinho da minha pequena, segurá-la em meus braços, pegar em sua mãozinha, sentir o seu cheirinho e poder amamentá-la.
Mas tiraram esse direito de mim.
Como eu sonhava com este momento!
A Emilly estava passando por vários tipos de exames, precisou até sair de ambulância do hospital, para fazer uma ressonância em um outro hospital de Belo Horizonte. Na época, o hospital Mater Dei, onde ela nasceu, não disponibilizava este tipo de exame e, todas as notícias sobre ela, era o Emerson quem me dava.
Final da tarde do dia 11 de maio. O neurocirurgião que a operaria foi até o apartamento onde eu me encontrava e, disse que se eu conseguisse me levantar, no dia seguinte eu poderia descer até a UTI, em uma cadeira de rodas e amamentar a minha filha. Seria o meu primeiro contato com ela, fora da minha barriga.
Eu recebi esta notícia com os olhos cheios de lágrimas! Como eu gostaria que a noite passasse logo!
Dia 12 de maio de 2002. Acordei bem cedo, me levantei, com a ajuda do Emerson, sem sentir nenhuma dor. Claro! Nem poderia, pois eu estava muito feliz e ansiosa para o meu primeiro contato com a minha filha. O Emerson me levou em uma cadeira de rodas até a UTI.
Ao chegar, vejo minha pequena em uma encubadoura. Tão frágil, com um olhar tão doce... Foi emocionante poder aconchegá-la em meus braços, olhar em seus olhinhos, dizê-la o quanto a amo, sentir o seu calor e colocá-la em meu seio para mamar. Foi a experiência mais linda e gratificante que já tive em toda a minha vida!! Eu chorava de emoção, enquanto ela mamava. Era o nosso momento. Apenas ela e eu e, um sentimento indescritível que invadia o meu ser naquele momento.
O Emerson assistia a tudo muito emocionado.
Foi aí então, que voltamos ao apartamento, pois a Emilly havia dormido e precisava descansar. Apesar de que a minha vontade era poder ficar ali com ela, todo o tempo. Mas havia me contentado em poder ter tido o privilégio de ter passado este pouco, mas prazeroso momento ao lado da minha pequena. Em  pleno dia das mães, o primeiro, em que eu já era mãe. Foi lindo!
O meu maior presente! 
O Emerson ainda me mandou flores e um lindo cartão em nome da nossa filha.
Como eu estava feliz!
Pouco tempo depois, o neurocirurgião entra no apartamento e nos informa, que no dia seguinte, a Emilly seria operada.
Seria uma cirurgia muito longa e delicada e ela poderia não resistir.

nascimento da Emilly Victoria



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* Este texto foi escrito por Carla Toledo, é uma história real, vivenciada na cidade de Belo Horizonte (MG - BR) iniciando-se no ano de 2001 e,  está dividida no blog por capítulos para facilitar a leitura e compreensão dos fatos narradas pela autora.

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