quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Nossa história de amor - parte 7

Meu ex-marido decidiu que não assinaria mais o divórcio.
Ele tentou de todas as formas me convencer a voltar com ele. 
Primeiro apelou para parentes, depois enviou uma carta à igreja…
Tocava no assunto toda vez que ia buscar ou levar nosso filho…quis me convencer que eu estava doida, que estava arriscando a segurança do Vi, citou casos de pedofilia envolvendo padrastos…tudo!
Como viu que assim não me convenceria, começou a querer me agradar.
Passou a me elogiar, mandar presentinhos, até mesmo flores, coisa que em 7 anos de relacionamento nunca fez.
Muita gente me perguntava porque eu não o perdoava, afinal, ainda éramos casados no papel, tínhamos um filho, bastava uma palavra minha e tudo voltaria ao "normal".
Minha resposta era que depois que você conhece o bom, não acostuma mais com o ruim.
O que mais me fez querer ficar com o Eduardo, foi o mesmo que fez eu não aceitar voltar para o ex: meu filho.
O Eduardo olhava para o meu filho de um jeito, que o pai biológico nunca olhou.
Meu ex-marido não é uma má pessoa. Mas ele é imaturo e egoísta demais, até mesmo para abrir mão das coisas por um filho. E eu soube disso no momento em que contei para ele que estava grávida.
Passei toda a gestação e quase um ano do nosso filho ao lado dele, mas ele não foi capaz de ser o que o Edu estava sendo em apenas poucos meses.
Ele não queria voltar comigo por amor, nem por preocupação com nosso filho. Ele só não aceitava ser trocado por alguém melhor do que ele.
Não foi fácil me manter firme em minha decisão. A religião e a criação que eu tive tentavam me forçar a voltar, mas algo em meu coração me dizia para resistir.
Enquanto tudo isso acontecia, era inevitável que o ex e o atual, vez ou outra se cruzassem. 
Ambos fingiam se ignorar, cada um virava para um lado quando o outro estava, mas um dia eles resolveram se enfrentar.
Eu não permitia que meu filho dormisse na casa do pai, mas ele poderia vir sempre que quisesse, levá-lo e trazê-lo antes de escurecer. Numa dessas visitas, sabendo que ele viria, saímos uns minutos antes dele chegar e voltamos pouco antes dele retornar. Quando chegamos, havia um embrulho no meu quarto. 
Nessa época, eu já morava com meu filho dentro da casa dos meus pais e não mais no cômodo embaixo. Meu pai havia reformado todo o porão e transformado numa casa para meu irmão mais velho.
Abri o pacote e era um CD de Sandy & Junior, dupla que eu era fã. Ficou claro que meu ex que havia dado. O Edu não falou nada. Saí do quarto para pegar meu filho lá fora e ele ficou lá.
Assim que peguei meu filho e entrei, vi o Edu passando por mim igual um "tiro"! 
Deixei o Vi na sala e saí correndo.
Eles estavam gritando, se xingando de todos os nomes possíveis!
Minha ex-sogra estava no carro e também xingava o Edu.
Vi o CD voando todo quebrado!
Na hora mandei eles pararem!
"Parem agora ou nenhum dos dois nunca mais verá a mim ou a meu filho!"
O Edu ficou quieto e entrou com a cara fechada.
Falei para o pai do meu filho me respeitar e respeitar a minha decisão. Não queria nada dele! Ele teve muitos anos para fazer isso, agora chega! E reforcei que se alguma vez ele fizesse algo parecido na frente do meu filho, poderia esquecer tudo!
Entrei e fui cuidar do meu filho.
Dei banho, troquei, dei a mamadeira e só depois que ele dormiu, é que fui conversar com o Edu.
Ele estava com aquela cara desconfiada, sabia que tinha feito besteira e iria levar bronca.
Falei pra ele que meu filho era o número um na minha vida! Que suas prioridades vinham acima das minhas. 
Para que uma criança cresça bem ajustada, precisa conviver com ambos os pais e ver que existe um relacionamento harmonioso.
Se ele não podia conviver pacificamente com isso, era melhor me esquecer, porque essa era uma realidade que eu jamais poderia mudar!
Ele pediu desculpas, falou que ficou com ciúmes, que foi um impulso e tal.
Falei que eu não daria outra chance. Se mais alguma vez ele fizesse isso, não teria volta. E que a sorte dele, foi que meu filho não viu.
Depois desse episódio, claro que eu tentei evitar que os dois ficassem no mesmo ambiente, mas de vez em quando acontecia.
Mantive essa postura durante todo o tempo.
Se eu precisasse falar com meu ex sobre nosso filho, iria falar, seja onde fosse, que horas fosse. Se ele quisesse visitar nosso filho, viria sempre.
Nosso relacionamento homem e mulher acabou, mas pai e mãe não.
Com o tempo, ambos entenderam e viram que eu estava certa.
Passaram a se cumprimentar, apertar as mãos, trocar até algumas palavras.
Foi um processo, mas graças à Deus funcionou.
Após dois anos e quatro meses de separação, finalmente ele concordou em assinar os papéis amigavelmente.
Consegui ajuda de uma parente que é advogada. Ele não me cobrou nada, apenas as custas do processo.
Nessa altura, eu realmente já havia perdoado meu ex e éramos amigos. Eu havia amadurecido demais nesses dois anos e entendido que tudo que aconteceu foi para o nosso bem.
Chegou o dia de comparecer ao tribunal, minhas cunhadas seriam as testemunhas, caso precisássemos comprovar o tempo de separação. Por incrível que pareça, meu ex passou na casa dos meus pais e fomos todos no mesmo carro, fazendo piada com a situação. 
A audiência foi super rápida! O juiz fez duas ou três perguntas e estava acabado.
Nem acreditei!! 
Fui embora me sentindo leve e queria contar logo para o Edu.
Menos de um mês depois, demos entrada no nosso casamento.

* Continua…..

natal de 2003


janeiro 2004 - 2 anos do Vi




8 comentários:

  1. Acho muito bonito você compartilhar conosco sua história de forma tão simples e verdadeira. Muita luz e paz pra você e sua família.

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  2. Acho muito bonito você compartilhar conosco sua história de forma tão simples e verdadeira. Muita luz e paz pra você e sua família.

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  3. Não resisti viu Ly... tive que vir no seu blogdacoisasdaalyne acompanhar sua história e Vc cm sempre surpreendente!💋

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  4. Nossa Alyne como é bom ler histórias como a sua...me faz lembrar de coisas que vivi e nem dava mais valor. A família é tudo!

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  5. Adorei ler a história. Quero mais! Você escreve muito bem, consegue colocar seus sentimentos, me emocionei várias vezes lendo os textos. Bjos e que Deus continue abençoando sua família.

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